Pergunta: Quais são seus pensamentos sobre a morte? Vejo diariamente que o maior medo da humanidade talvez seja a morte mesmo!

Giuliano: Ótima pergunta e agradeço pela oportunidade de dividir minhas reflexões sobre a morte e seu processo. Vivemos em um momento engraçado na humanidade. A maioria acredita que o nascimento é lindo, uma experiência positiva, mágica e boa. Não é a toa que nos preparamos para o nascimento de filhos, netos e assim por diante. Prepararmos o quarto do bebe, celebramos antes e durante o nascimento. E olha que a fase de nascimento tem suas dores e dificuldades!

Alguns pais não conseguem engravidar, mas fazem inseminação, algumas mães não tem dilatação suficiente para fazer parto normal e precisam de cirurgia cesariana. Há aquelas mães que passam por muita dor durante a gravidez, tem gravidez difícil. Mesmo diante de tantas dificuldades e dores, por encararmos o nascimento como algo maravilhoso, mágico e bom, as dores e dificuldades conseguem ficar em segundo plano. Até nossa medicina evoluiu para diminuir ao máximo essas dores, problemas, riscos e dificuldades relacionados ao nascimento.
Quando a humanidade realmente chegar ao ponto de acreditar na vida e entender como ela é de fato maravilhosa e aqui falo da vida no seu sentido mais amplo, no sentido de nascer, crescer, envelhecer e inclusive morrer, talvez vejamos a morte com outros olhos. Afinal a morte e o nascimento são lados da mesma moeda, da moeda da vida.

Já sabemos ate certo ponto como a vida é maravilhosa, tanto é verdade que mesmo diante de dificuldades, limitações e dores, mesmo assim adoramos viver  essa vida. Há milhares de pessoas que nascem com deficiências e limitações, que passam por muita dor. Mesmo assim, quando conversamos com elas, elas valorizam cada dia da vida .  Querem viver mais, querem viver!

Quando acreditarmos realmente na vida em seu sentido mais amplo, vamos aprender a amar e ver o lado mágico, bom e maravilhoso da morte também, já que ela faz parte da vida  tanto quanto o nascer, crescer e envelhecer. Quando chegarmos a esse ponto, a medicina irá nos ajudar também para fazer desse momento algo o menos dolorido possível. Talvez nessa humanidade do futuro, possamos não só planejar quando iremos ter nossos filhos, a forma de parto e assim por diante, mas também planejar quando iremos querer partir, a forma e etc. Talvez lá no futuro tenhamos  mais opções que a medicina nos dará para passarmos por esse momento.

Vejo tanto, mas tanto medo e sofrimento envolvidos no processo da morte, essa parte tão importante da vida, tudo isso graças a essa nossa crença de que morte é algo horrível, algo do qual temos que fugir ao máximo. E quanto sofrimento é gerado quando tentamos lutar contra o inevitável em qualquer área da vida. Afinal morrer é algo inevitável para todos nós, e isso sem exceção.

Outro dia encontrei com um amigo que me disse que algo horrível tinha acontecido; seu avô de 98 anos havia falecido dormindo. Aquilo me surpreendeu! Minha bisavó faleceu com 92 anos em paz e feliz, vitoriosa por ter vivido tantos anos. Apesar de sentirmos a dor da falta, termos saudades dela, uma dor que temos até hoje, nosso sentimento na partida dela foi o de admiração e respeito por uma alma tão iluminada e vitoriosa. As últimas palavras dela foram “Quanta paz e amor!”.

Para mim, morte não é algo ruim e horrível. Sabe o que é realmente ruim e horrível para mim? Viver uma vida sem seguir seu coração, viver uma vida sem fazer o bem aos outros, viver sem usar os seus talentos, isso sim é algo horrível, ruim e triste. Não importa se você vive 10, 20, 40 ou 98 anos, se você viveu no sentido amplo da palavra vida só há motivos para celebração e felicidade mesmo que haja sentimentos de perda e de saudades pela sua ausência após a morte.

Precisamos rever e muito o sentido atual de que morte é uma tragédia, uma desgraça… Nada que faz parte intrínseca dessa vida, como o nascimento e a morte o fazem, merecem ser considerados uma desgraça.

Por não nos darmos ainda a liberdade de ver a beleza da morte como já vemos a beleza do nascimento, lutamos contra ela. Todas as vezes que lutamos contra a vida, sofremos e muito. Perdi meu pai quando tinha 19 anos, ele faleceu de câncer. Descobriu que tinha câncer quando eu tinha 17 anos. Por um ano ficou bem, sem dores vivendo muito bem e com qualidade de vida. Mas aí começou a luta contra a morte dada como certa pelos médicos. Ele passou por muitos tratamentos pesados, muita dor, muito sofrimento para aumentar alguns meses a sua permanência aqui. Ele talvez preferisse, caso tivesse a opção, ter ido antes sem precisar passar por tanto sofrimento e desgaste. Por comparação seria o mesmo que  forçar uma mãe que não tem dilatação a ter parto normal… Difícil, doloroso e, as vezes, impossível. Se estivesse no lugar dele e tivesse a liberdade de escolha, sem duvidas optaria por uma forma indolor de vivenciar essa parte intrínseca dessa bela e fantástica vida que é a morte.

E você? O que você acha da morte? Que é algo horrível, trágico e uma verdadeira desgraça? Quando achamos isso da morte é natural vivermos com medo, estressados e ansiosos, um medo que aumenta mais e mais quanto mais achamos que dela estamos nos aproximando. Por isso que vejo a felicidade mais presente em jovens e menos presente em pessoas da terceira idade.

O medo e o pânico criam bloqueios para vivermos a vida no sentido mais amplo e em sua totalidade. Isso porque o medo bloqueia nossa visão, nossa razão e também o nosso coração!

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